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sexta-feira, 27 de março de 2015

Belezas de uma gravidez #5



Só para ganhar lanço ficam aqui várias:
- adquiri um novo caminhar – à pinguim;
- tenho a sensação de ser uma GRANDE bola sobretudo quando tenho de me baixar;
- nunca comia mousse de chocolate (não era coisa que me atraísse; nem doces, tão pouco, em geral) – atualmente sonho dia e noite com uma tacinha desta espuma cremosa com sabor a cacau;
- a roupa disponível para vestir é cada vez menor;
- não vou comprar mais roupa porque já falta pouco tempo;
- ouço: a barriga está MUITO grande, não tens barriga quase nenhuma, alargaste muito, estás praticamente igual ao que estavas antes de engravidar… decidam-se porra!;
- as bochechas aumentam, a sensação de volume também, a balança é a maior inimiga;
- estou ansiosa que a bebé nasça para a beijar, sentir, cheirar, tratar;
- não quero que nasça – quero protege-la do mundo inteiro para sempre;
- estou ansiosa por lhe mudar a fralda, dar banho, amamentar;
- aterroriza-me o cansaço, as noites sem dormir, o desespero de não saber o que lhe fazer;
- já tenho roupa para uma cambada de 30 filhos;
- não tenho roupa nenhuma – falta-me tudo!;
- quero parto normal porque a natureza assim o manda, a recuperação é mais rápida e é a melhor opção;
- quero cesariana porque não quero o sofrimento que implica para a bebé o parto normal e porque me aterroriza a elasticidade necessária para a saída do rebento;
- …
- …
Tinha tanto mais para dizer… mas, para já, chega! Acho que assim se fica com uma ideia de porque é que estando grávida as variações de humor existem por muito que as queira controlar! E o mau feitio não é culpa minha!  

sexta-feira, 20 de março de 2015

E assim param os nossos serviços públicos #3



Em meados de Dezembro a falar com uma amiga esta perguntou-me se já tinha feito inscrição (e pesquisado) colégios para a bebé. Primeiro pensamento: que idiotice! A bebé ainda nem nasceu e vou andar a ver sítio para ela ficar? Depois de nascer tenho mais que tempo…
Mas depois fui esclarecida. Quando a licença parental terminar a bebé terá de ir para um colégio/creche/berçário/… o que for. Pelo que entretanto me informei os berçários têm no máximo capacidade para 8 bebés. E assim os bebés têm de ficar em fila de espera para de alguma forma tentar arranjar vaga para o momento em que mãe e pai tiverem de ir trabalhar. Se só me preocupar com isso depois de ela nascer o mais provável é ficar a ver navios.
Solução: dia de férias para pesquisar mercado, visitar instalações, fazer inscrições (mas ainda continua a fazer-me confusão inscrever uma pessoa que ainda não nasceu!), tudo como manda a sapatilha!
Fizemos levantamento, na nossa área de residência de instituições, privadas e IPSS com berçário. E encontramos de tudo. Como seria de esperar. A verdade é que cada vez que punha um pé numa dessas instituições sentia um aperto no peito – podia ser ali que a minha bebé iria ficar quando deixasse de poder estar com ela o dia todo e isso para já reveste-me de uma fragilidade tremenda.
Depois cheguei à conclusão de que só pode ter filhos quem é rico. Minha nossa! Mais que justificada a baixa taxa de natalidade no nosso país. As minhas tensões até subiram quando me apercebi do rombo que o nosso orçamento mensal iria levar.
Nas IPSS existem listas de espera que parecem páginas amarelas. E com um custo mensal que não anda muito longe do privado – falo de uma diferença de cerca de 50,00€ mensais. E fico ainda mais doente.
Nesta história das IPSS há algo que também me mexe com a tripa. Tanto eu como o pai declaramos todos os nossos rendimentos e isso reflete-se no nosso IRS. Sabemos automaticamente que vamos ficar no escalão mais elevado (e daí a diferença tão pequena para o valor a ser pago no privado), mas depois sabemos que há pessoas que ganham bem mais, que recebem subsídios e trabalham “por fora” e mais não sei quê e que lhes permite pagar uma bagatela pelo mesmo serviço. Para mim é verdadeiramente revoltante! Sobretudo quando penso que ambos temos um trabalho estável, que felizmente não ganhamos o salário mínimo, que reunimos todas as condições financeiras para pensar num filho e que com as coisas como atualmente se apresentam dificilmente poderemos pensar num segundo porque um filho traduz-se numa camada de despesas que só sabe quem por lá passa. A vida está boa para quem se mete em esquemas, quem consegue contornar… e os camelos pagam tudo para outros andarem a encher bolsos. E isto aplica-se a quem o faz e tão somente a quem o faz!
Mas ainda há outra coisa que me faz mais confusão: se a taxa de natalidade é tão baixa, é preciso mais crianças, somos um país muito envelhecido e berreuteuteu… como é que IPSS e instituições públicas estão completamente esgotadas sem previsão de disponibilidade quando estamos a fazer pré-inscrição cerca de 10 meses antes desta vaga ser necessária?