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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O alívio



Ontem foi um dia em que a minha capacidade de escrita estava especialmente diminuta.
A última consulta de obstetrícia havia sido há cerca de 1 mês e entretanto muito aconteceu. Estava calma mas simultaneamente ansiosa. Conforme as horas passavam, e sabia que estava prestes a saber que estava tudo a correr dentro da normalidade e a considerar a possibilidade de tal não acontecer, a ansiedade ganhava terreno à calma.
Nas últimas semanas houve alturas em que senti peso na consciência por não controlar o que sentia e sinto. Sei que fui muito parva em vários pensamentos nas últimas semanas e meses. Sinceramente, não sabia bem o que pensar.
Ao final do dia lá fomos. A médica, como de costume, super simpática e atenciosa, esclareceu todas as nossas dúvidas, colocou-nos várias questões, orientou-nos relativamente aos próximos tempos… é muito bom sentir esta empatia. Mas sempre com a sombra da dúvida enquanto todo este diálogo ocorria.
Até que: “vamos lá então ver e ouvir o coração do bebé a bater?”.
E as minhas pernas até ficaram bambas. O momento da verdade!
A melhor coisa que ouvi nos últimos tempos: “Vamos então ouvir o coração!” (E ouvimos!) “Estão aqui as mãos, as pernas, a coluna toda direitinha. Está tudo bem!”. Quase que desfalecia de alívio.
Ia com a esperança de ter alguma ideia acerca do sexo mas com estas frases até me se varreu tudo do pensamento. O “não tenho preferência de sexo, o que interessa é que venha perfeitinho” ganha toda uma nova importância.
Palpite da médica é que temos uma menina a caminho mas avisou-nos que era melhor ainda não nos dedicarmos a comprar tudo cor-de-rosa. Vai ser a nossa prenda de Natal a certeza acerca do sexo. Mas, sem sombra de dúvida, o sexo é o que menos importa.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Pessoas simplesmente fantásticas



Aquelas em que agora decidem partilhar comigo todos os problemas, dificuldades, adversidades que tiveram durante a gravidez, parto, primeiros meses de vida dos filhos.
Tumores, problemas de rins ainda detetados na gravidez e tudo mais que possa passar pela cabeça de qualquer pensante.
Obviamente não me refiro aos testemunhos daquilo que é perfeitamente normal. Umas noites mal dormidas, cólicas, a experiência do parto,…, mas assim daquelas coisas que nem queres pensar por ti quanto mais seres lembrada por outras pessoas.
Felizmente consigo manter-me calma e serena mesmo depois de todas essas partilhas. A minha atual preocupação prende-se com o facto de saber que está tudo dentro da normalidade. Sei que as emoções dos últimos tempos têm sido mais do que fortes e não consigo evitar considerar a possibilidade de algum efeito na gravidez. Mas também tenho muita fé no anjo da guarda que sei que nos dará especial atenção…
Mas, independentemente de tudo o resto, há pessoas simplesmente fantásticas.

Isto de padres e igrejas tem muito que se lhe diga



Assim por acaso não sou fanática por nada! Dança sim, talvez um chisquinho mas ainda assim fanatismo é palavra que me assusta. E é o que mais tenho visto no que respeita ao padre de Canelas.
Leiga no assunto, porque nestas coisas das crenças e afins não gosto de meter o bedelho, pelo que ouvi das notícias, os factos resumem-se a:
- Padre Roberto de Canelas era um espetáculo. Aquilo deviam ser massas constantemente presentes na igreja para assistir a cerimónias lideradas pelo senhor. Um dom poderosíssimo que transmitiu excelentes princípios a crentes e praticantes;
- Por uma questão de rotatividade, e apesar de no poder das suas faculdades o padre já referido ter “ameaçado” fazer declarações que iriam chocar a sociedade caso tal acontecesse, o senhor Roberto foi em missão já nem sei para onde e foi substituído por Albino Reis;
- Obviamente, não sei quem poderá ter pensado o contrário!, o Padre Albino Reis, pessoa de barba grande e cabelo comprido, não transmite toda uma espiritualidade que era natural no antecessor.
Posto isto, obviamente a população de Canelas e arredores (porque o Padre Roberto tinha uma capacidade sobrenatural) sai à rua, agride verbalmente o seu Padre em funções, tenta agredir fisicamente a mesma pessoa - tal não sendo possível apenas porque o homem em questão entra e sai da paróquia com escolta policial.
Portanto existem ali meia dúzia de beatas que estabeleceram a discórdia demonstrando um completo fanatismo por uma pessoa em detrimento da sua própria religião.
Leiga que sou (volto a sublinhar), ainda por cima nunca estive presente numa cerimónia liderada pelo Padre Roberto, pergunto se alguma vez ele deu indicações do género: maltratem o próximo!; se não for eu aqui não será mais ninguém!; e por favor não aceitem pessoas com cabelo comprido que isso é assunto para ser mal visto por qualquer deus, santo ou o que for!.
Vi pessoas a maltratarem outra pessoa sem motivo absolutamente nenhum e só me questiono acerca da presença da religião nas suas ações e pensamentos.
Crucifica-se uma pessoa infundadamente. Vi ações e declarações que envergonham qualquer ser humano e tudo isto com justificação em crenças religiosas. Para mim tudo isto é envolvido de um perigo que as pessoas não têm noção. Estão ali meia dúzia de almas penadas a estabelecer a discórdia e a criar a dúvida e infelizmente ao longo da história e mesmo hoje vemos muitas consequências gravíssimas que começam com este tipo de manifestações.
É vergonhoso. E mais vergonhoso ainda é apresentarem as justificações que apresentam para os seus atos.
Quanto mais vejo aquilo de que algumas pessoas são capazes mais gosto da minha gata.